Uma caixa de escuta instalada na Escola Municipal Rotary III, em Campos dos Goytacazes, tem ajudado crianças e adolescentes a encontrar um espaço seguro para falar sobre situações de violência, bullying e cyberbullying. O projeto foi criado pela professora Bruna Fernandes com o objetivo de incentivar os alunos a relatarem experiências que, muitas vezes, ficam escondidas por medo, vergonha ou dificuldade de pedir ajuda.
A iniciativa conta com o apoio da SaferNet, organização que atua na defesa dos direitos humanos e na promoção dos direitos e da segurança de crianças e adolescentes no ambiente digital.
A proposta é simples, mas pode fazer a diferença na vida dos estudantes: oferecer um canal de comunicação para que eles sejam ouvidos e recebam acolhimento. A mensagem transmitida pela escola reforça que ninguém precisa ter vergonha ou medo de contar o que está acontecendo.
“Você não precisa ter vergonha nem medo de escrever. Nós queremos te ouvir, nós queremos te ajudar”, é o convite feito aos alunos.
Projeto já ajudou a identificar situações de risco
Além de acolher os estudantes, a iniciativa tem contribuído para revelar situações que acontecem fora da escola, especialmente nas redes sociais e nos aplicativos de mensagens.
Segundo relato da equipe escolar, o projeto já ajudou a identificar um caso em que adultos estariam se passando por crianças para entrar em contato com um aluno pela internet.
A partir das informações recebidas, a escola conseguiu identificar a situação, chamar a família e conversar sobre o que estava acontecendo. O episódio mostrou como um canal de escuta pode ajudar a revelar problemas que dificilmente chegariam ao conhecimento dos profissionais da unidade por outros meios.
O trabalho também reforça a importância da parceria entre escola e família na proteção de crianças e adolescentes, principalmente diante dos riscos presentes no ambiente digital.
Violência digital exige atenção
A preocupação com a segurança dos jovens na internet não é isolada. Uma pesquisa do ChildFund Brasil apontou que 54% dos adolescentes brasileiros entrevistados já sofreram algum tipo de violência sexual online. O levantamento também identificou que 41% relataram interações com desconhecidos na internet.
Nesse cenário, iniciativas como a desenvolvida na Escola Municipal Rotary III destacam a importância de criar ambientes em que crianças e adolescentes possam falar sem medo de julgamentos.
O projeto liderado pela professora Bruna Fernandes mostra como a escuta pode se tornar uma ferramenta de acolhimento e prevenção. Mais do que receber relatos, a proposta é abrir caminhos para que os estudantes sejam ouvidos, orientados e protegidos.