Os países do Grupo dos Sete (G7) planejam realizar simulações de ataques cibernéticos com uso de inteligência artificial (IA) para avaliar a segurança do sistema bancário internacional. A iniciativa foi discutida durante uma reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais realizada em Bangkok, na Tailândia, em meio à preocupação crescente com a evolução dos crimes digitais.
De acordo com informações divulgadas pela agência Reuters nesta sexta-feira (16), os exercícios devem reproduzir cenários de possíveis ataques a bancos e outras estruturas financeiras. O objetivo é avaliar como governos, autoridades reguladoras e instituições do setor reagiriam a situações capazes de comprometer serviços bancários e a confiança dos clientes.
A proposta prevê exercícios simulados, conhecidos como testes de mesa, nos quais os participantes analisam cenários de crise e verificam se os protocolos de segurança e resposta são suficientes. Instituições financeiras privadas também poderão participar das atividades.
Como a inteligência artificial aumenta os riscos?
A preocupação das autoridades está relacionada à capacidade da inteligência artificial de acelerar diferentes etapas de um ataque cibernético. A tecnologia pode ajudar criminosos a identificar falhas em sistemas, automatizar tentativas de invasão e produzir mensagens fraudulentas mais convincentes.
Essas ferramentas também podem ser utilizadas para criar áudios e vídeos falsos que imitam a identidade de executivos, funcionários de bancos ou outras pessoas com autorização para movimentar recursos.
Em um sistema financeiro interligado, uma falha em um serviço amplamente utilizado pode afetar diversas instituições ao mesmo tempo. Isso aumenta o risco de que um incidente inicialmente isolado provoque interrupções mais amplas.
FMI alerta para ameaça à estabilidade financeira
O Fundo Monetário Internacional (FMI) também vem chamando a atenção para os riscos associados à inteligência artificial e à segurança digital. Em relatório divulgado em outubro de 2026, a instituição apontou os ataques cibernéticos entre os fatores capazes de provocar instabilidade nos mercados financeiros e comprometer a confiança nos serviços bancários.
O organismo destaca que incidentes digitais graves podem interromper serviços, gerar perdas financeiras e pressionar instituições que dependem de sistemas e fornecedores compartilhados. Em situações extremas, os efeitos podem ultrapassar os limites de um único banco e atingir outras partes do sistema financeiro.
O FMI defende o fortalecimento das defesas digitais, a troca de informações entre autoridades e empresas e a realização de testes para avaliar a capacidade de recuperação após incidentes.
Testes buscam preparar o sistema financeiro
A simulação planejada pelo G7 faz parte dos esforços para antecipar ameaças que podem se tornar mais rápidas e sofisticadas com o avanço da inteligência artificial.
A iniciativa não significa que um ataque esteja em andamento. O objetivo é preparar as autoridades para responder a possíveis incidentes, identificar vulnerabilidades e reduzir o risco de que problemas tecnológicos provoquem consequências mais amplas para bancos, empresas e consumidores.
O desafio das instituições financeiras será acompanhar a evolução das ferramentas utilizadas por criminosos sem deixar de investir em tecnologias capazes de detectar ameaças, proteger dados e manter os serviços funcionando em situações de crise.